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El polvorín

Desastres medioambientales en Brasil nunca han recibido suficiente atención

28 Enero 2011 , Escrito por El polvorín Etiquetado en #Politica

 

A HISTÓRIA DOS DESASTRES NATURAIS NO BRASIL VEM DESDE SUA DESCOBERTA

 

A medida que las ciudades crecieron, con mayor concentración de gente, como en Río de Janeiro, donde se deforestaba las pendientes para dedicarlas a la agricultura, la obtención de carbón o la vivienda, las inundaciones comenzaron a causar daños considerables y se mantienen en la memoria colectiva. Es el caso de las históricas “águas do monte” de 1811, cuando parte de Morro do Castelo se derrumbó generando mortales avalanchas. O la inundación de 1864, registrada en 1889 en una crónica de Machado de Assis. A partir del siglo XX, la situación se tornó mucho peor .

La ocupación de las pendientes, ya fue criticada en 1821 cuando José Bonifacio sostuvo que la agricultura debe desarrollarse en los valles, que se benefician de la protección que les brindan los morros forestados.

El cultivo en laderas, motivado en gran parte por la facilidad de deforestar a favor de la gravedad, es una combinación de ignorancia, pereza y mala gestión. Ya en 1862, Petrópolis fue inundada por la lluvia, el emperador Pedro II se quejó ante el ingeniero de distrito: "poco se hizo el año pasado" para enfrentar el problema.

 

Y poco se ha hecho después de casi un siglo y medio que el emperador hiciera su crítica. El plano original de Petrópolis, de 1840, no incluía la deforestación de las laderas. La región de Petrópolis, Teresópolis y Nova Friburgo se mantuvo relativamente a salvo de desastres,  durante muchos años, debido a su escasa población.

A mediados de siglo XX, la población de estas ciudades era de alrededor de 30,6000 habitantes. Todo eso cambió en las últimas décadas del siglo pasado, cuando la población comenzó a crecer muy rápidamente.

 

Relaciones peligrosas con lo verde

La razón es el fenómeno socioeconómico que los historiadores llaman Novo Rural”: el nuevo turismo rural, las casas de campo, la agricultura ecológica, la cría de ovejas, caballos y la producción de productos finos. La gente se subió a la Serra en busca del verde.

A pesar de los muchos puntos de riesgo, la región se ha vuelto cada vez más atractiva para la gente que quiere vivir "más cerca de la naturaleza", que quiere tener más contacto con el verde. Y los pobres fueron atraídos por estas nuevas oportunidades de empleo. Por lo tanto, casas de ricos y pobres se construyeron en lugares totalmente vulnerables a los desastres.

Para el historiador Padúa, sólo una intensa presencia del gobierno en el control de la ocupación, junto con formas innovadoras de gestión local, puede indicar un camino seguro para la Região Serrana.

“La naturaleza no pide licencia al hombre. Debemos encontrar una forma de adecuarnos a ella” remarca Padúa.

 

 

 

A HISTÓRIA DOS DESASTRES NATURAIS NO BRASIL VEM DESDE SUA DESCOBERTA

 

 

                                                                       Serra do Rio do Rastro - SC

 



                                                                                     castigou a Região Serrana

 

 

A turbulenta relação entre os brasileiros e as serras remonta à criação do país

Publicado em janeiro 25, 2011 por Henrique Cortez

EcoDebate

A trágica história dos desastres naturais em terras brasileiras começa com o país. São Vicente, em São Paulo, a primeira povoação oficialmente criada na América portuguesa, teve o núcleo destruído por tempestades e ressacas em 1541. O padre José de Anchieta, ao escrever na mesma região em 1560, descreveu uma tempestade que “abalou as casas, arrebatou os telhados e derribou as matas”.
Desde então, se sucedem os desastres gerados pela combinação de gente no lugar errado, montanhas e tempestades, destaca o historiador José Augusto Pádua, para quem a história tem muito a contribuir para a compreensão da relação entre o homem e a natureza. Relação que pode terminar em desgraça, como demonstrou a tragédia deste mês na Região Serrana do Rio. Reportagem de Ana Lucia Azevedo, em O Globo.
- Temos uma longa trajetória de uso inadequado do solo. E uma visão da natureza sem enfoque histórico. As pessoas, e não só no Brasil, veem a natureza como um cenário. Mas a natureza é movimento. É transformação permanente – explica Pádua, um dos poucos especialistas brasileiros em história do meio ambiente e coordenador do Laboratório de História e Ecologia do Departamento de História da UFRJ.
Em busca de uma utopia possível
Pádua diz que a utopia possível é que vamos conseguir adaptar nossas necessidades ao mundo natural. Na era do aquecimento global, em que extremos tendem a se tornar mais regra do que exceção, esse aprendizado ganha urgência.
- É preciso conhecer a transformação da paisagem. Nos últimos dias houve muitos relatos de pessoas atingidas dizendo não se lembrarem de ter visto, em 70 anos, antes algo como as chuvas e desmoronamentos na Serra. Isso é muito tempo para uma vida humana. Mas não é nada para a natureza – diz Pádua.
Autoridades e meteorologistas discutem se as chuvas que devastaram a Serra entre 11 e 12 de janeiro foram as mais violentas da região. Para Pádua, a discussão é secundária. Pode ser que chuvas assim ocorram a cada 100 anos. Pode ser que não.
- O importante é se convencer de que elas podem voltar a ocorrer. Pode ser que tenham ocorrido outras vezes, mas que não tenham sido catastróficas porque ninguém morava lá. Se a história da ocupação das serras brasileiras, e não apenas a fluminense, ainda é incipiente, e está cheia de lacunas, a história natural é ainda mais desconhecida – afirma o historiador.
Exemplo disso é a visão equivocada sobre as florestas. Muita gente se chocou com o fato de encostas cobertas por florestas terem vindo abaixo na enxurrada.
- Muitos moradores pensaram que as encostas estariam defendidas pela presença de florestas. Realmente as florestas são a melhor proteção das encostas. No contexto atual, as propostas ruralistas de afrouxar o Código Florestal representam um tapa na cara da sociedade. Só que as florestas não existem no abstrato. Cada floresta tem sua história. Muitas das formações florestais da Serra são recentes e secundárias, estando bastante mexidas e fragmentadas. Se mesmo as florestas mais íntegras, dependendo do volume de água e do contexto geológico, podem não segurar um deslizamento, quanto mais as florestas secundárias. Conhecer a história de cada paisagem é fundamental para desenhar boas políticas de prevenção e reconstrução – explica o pesquisador da UFRJ.
O passado não registra nada da magnitude da catástrofe que matou centenas de pessoas em Nova Friburgo, Teresópolis e outros municípios serranos nas chuvas deste janeiro. Mas explica sua origem.
- Uma perspectiva ampla permite identificar que transformações na paisagem contribuíram para aumentar o desastre. E demarcar melhor que lugares devem ser considerados impróprios – observa o historiador.
Ele lembra que as enormes enchentes de 1987/88 na Serra Fluminense, ou no Rio de Janeiro em 1966/67, mataram bem menos gente do que a tragédia deste ano. Não porque estivéssemos mais bem preparados. Um fator decisivo é que a escala das populações e da ocupação dos espaços era muito menor.
- Havia menos gente em lugares que nunca deveriam ter sido ocupados. Os últimos 30 anos assistiram a um aumento populacional explosivo. Comas previsões de que chuvas extremas se tornarão mais frequentes, mais do que nunca é preciso repensar a ocupação, os limites de nossa sociedade de risco – frisa.
Nossa sociedade é paradoxalmente poderosa e vulnerável. – O tamanho da população das cidades, a complexidade da infraestrutura e a dependência de fluxos intensos de matéria e energia, isto é, de água, de combustível, fazem com que nossa sociedade seja ao mesmo tempo muito poderosa, porém muito mais frágil – diz.
A história do Brasil nos traz muitos alertas.
- À medida que as cidades cresciam, com maior concentração de gente, como o Rio de Janeiro, onde se desmatava as encostas para agricultura, carvão ou moradia, as enchentes começaram a causar danos consideráveis e a ficar na memória coletiva. É o caso das “águas do monte” de 1811, quando parte do Morro do Castelo desmoronou. Ou da enchente de 1864, lembrada em 1889 por uma crônica de Machado de Assis. A partir do século XX a situação piorou muito – relata o historiador.
A questão das encostas já era alvo de críticas em 1821, quando José Bonifácio argumentou que a agricultura deveria ser feita nos vales, beneficiando-se da proteção dos morros florestados.
O cultivo em encostas, motivado em grande parte pela facilidade de desmatar em favor da gravidade, era encarado por ele como uma combinação de ignorância, preguiça e má gestão. Em 1862, ao ver Petrópolis alagada pela chuva, o imperador D. Pedro II reclamou com o engenheiro do distrito que “pouco se fez do ano passado para cá” para enfrentar o problema.
E pouco continuou a se fazer, passados quase um século e meio desde a crítica do imperador. O plano original de Petrópolis, dos idos de 1840, não previa o desmatamento de encosta. Mas Pádua acredita que a região de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo permaneceu por muitos anos relativamente a salvo de catástrofes em virtude de sua baixa ocupação por muitos anos.
- Até meados do século XX a população dessas cidades estava na casa dos 30, 60 mil habitantes. Tudo isso mudou nas últimas décadas do século XX, quando a população começou a crescer muito depressa – diz Pádua.
Relação perigosa com o verde
O motivo seria o fenômeno socioeconômico que os historiadores chamam de Novo Rural, baseado em turismo, casas de campo, agricultura orgânica, criação de ovelhas, cavalos e produção de produtos finos. As pessoas subiram a Serra em busca do verde.
- Apesar dos muitos pontos de risco, a região se tornou cada vez mais atraente para os que queriam viver “mais perto da natureza”, ter maior contato como verde. E pessoas pobres foram atraídas por essas novas oportunidades de emprego. Assim, casas ricas e pobres foram erguidas em lugares totalmente vulneráveis a desastres – salienta.
Para o historiador, só uma intensa presença do poder público no controle da ocupação, associada a formas inovadoras de manejo local, poderão indicar um caminho seguro para Região Serrana.
- A natureza não pede licença ao homem. Precisamos encontrar uma forma de nos adequar – conclui.
EcoDebate, 25/01/2011

BLOG SOS RIOS DO BRASIL

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