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El polvorín

Represa Belo Monte e Trem-Bala: dois projetos errados.

21 Febrero 2011 , Escrito por El polvorín Etiquetado en #Politica

Con un bello monte de equívocos, Brasil está entrando cual un tren bala en dos problemas gravísimos. Las dos obras más importantes del país son agujeros sin fondo desde la perspectiva fiscal, y cuanto más se ahondan, el gobierno, erradamente, se involucra más en ellos.

 

Bertin, subsidiaria de Gaia Energia, una de las empresas de Belo Monte, se pregunta ¿por qué un país con pocos recursos para invertir, escoge dos proyectos faraónicos?

 

Brasil está en crisis financiera, además, el gobierno trata de empujar el tren bala. Ambos proyectos tienen esto en común: están equivocados.

 

Hay muchos argumentos en contra de las dos obras.

 

El ferrocarril es la alternativa mas adecuada para Brasil, pero el tren bala va a consumir demasiado dinero, va a impedir el ineludible progreso ferroviario que apremia al Brasil. La represa de Belo Monte consume mucho dinero, es una obra cuyo proyecto no fue evaluado adecuadamente en términos económicos, fiscal, ambiental y climático.

 

 

Por que um país com poucos recursos para investir escolhe dois projetos faraônicos: Represa Belo Monte e  Trem-Bala. Os dois projetos têm isso em comum: estão errados.

 

 Erros caros - 16 fev. 2011 … Os dois projetos têm isso em comum: estão errados. … O trem-bala tem um belo monte de subsídios: R$20 bilhões de empréstimos do BNDES a …
www.antf.org.br/index.php?option=com_content&view…id… 

Erros Caros

 

LEITÃO, Míriam. “Erros Caros”. O Globo.

Rio de Janeiro, 16 de fevereiro de 2011.

Com um belo monte de equívocos, o Brasil está entrando num trem-bala para duas

encrencas. As duas maiores obras são buracos sem fundo do ponto de vista fiscal, e

quanto mais afundam, mais o governo se envolve. A Bertin, que é uma das empresas

de Belo Monte, por que um país com poucos recursos para investir escolhe dois

projetos faraônicos está em crise financeira; o governo tenta pôr os Correios para

turbinar o trem-bala. Os dois projetos têm isso em comum: estão errados.

Há montes de argumentos contra as duas obras.

A ferrovia é o caminho certo para o Brasil, mas o trem-bala consumirá dinheiro demais, impedindo inclusive o progresso ferroviário inadiável do país. Energia limpa é o caminho certo para o Brasil, mas a

hidrelétrica de Belo Monte vai consumir dinheiro demais numa obra cujo projeto não foi

avaliado adequadamente do ponto de vista econômico, fiscal, ambiental e climático.

Confesso não entender num tempo em que há tanto a fazer.

O custo do trem-bala já foi revisto três vezes e está agora em R$35 bi. Ninguém do

setor realmente acredita que ficará nisso. Pode ser muito mais, até porque no trembala

50% do projeto são túneis e pontes. Mas imaginemos que seja este o preço final.

De acordo com o diretor-executivo da Associação Nacional de Transporte Ferroviário

(ANTF), Rodrigo Vilaça, se em vez de trem-bala fosse feito um trem de alta velocidade

convencional, que levasse três horas o trajeto, ao invés de uma hora, o custo seria

reduzido a um terço:

- Quanto mais rápido andar o trem, menor capacidade terá de fazer curvas. O trajeto

precisa ser praticamente em linha reta, o que encarece a obra pela geografia

montanhosa da região.

O especialista em logística Paulo Fernando Fleury concorda. Acha que o Brasil tem

inúmeros bons e necessários projetos na área ferroviária, com custos individuais em

torno de R$4 bi a R$5 bi. É uma diferença descomunal com o custo do trem-bala.

Fleury também considera que a entrada dos Correios não resolve o problema:

- O projeto é de um trem de passageiros. Como será feito o embarque e desembarque

dos malotes e cargas dos Correios? Os passageiros vão ficar esperando o trem

carregar e descarregar?

A entrada dos Correios no trem-bala tem mais a ver com o mesmo defeito que há em

Belo Monte: pôr mais e mais governo através de estatais, para assim dar conforto aos

investidores e fazer com que eles se animem. Mesmo assim, o leilão foi adiado para

29 de abril e ainda não há certeza de que haverá mais de um consórcio.

A ANTF estima que a economia brasileira demande, hoje, 50 mil quilômetros de

ferrovias. Temos 28 mil. Nem quando todos os projetos previstos pelo Governo

Federal saírem do papel, em 2023, chegaremos a esse número. O trem-bala vai

consumir sozinho metade de que será investido no setor nos próximos anos. Ou seja,

há uma clara distorção de prioridades, num contexto de urgência para ampliação da

rede. Para se ter uma ideia, o crescimento do volume transportado em 2010 chegou a

19,1%: 471,1 milhões de toneladas de carga, contra 395,5 milhões em 2009. A maior

parte disso são commodities que o Brasil exporta: minério de ferro, soja, milho,

petroquímicos, mas também produtos para construção civil, impulsionados pelo

crescimento da economia.

As ferrovias correspondem a apenas 25% de nossa matriz de transporte. O trem-bala

não mudará isso porque fará transporte apenas de passageiros, e a uma distância

curta, de cerca de 500 quilômetros, ligando Rio, São Paulo e Campinas. A

discrepância com outros países de dimensão continental é enorme. A Rússia tem 81%

de sua matriz em ferrovias. O Canadá, 46%; Austrália, 43%; EUA, 43%; e China, 37%.

Estamos na lanterna e atrasados. Para piorar, 80% da malha ferroviária nacional têm

mais de um século, segundo a ANTF.

O “Valor Econômico” trouxe na segunda-feira a assustadora notícia de que a Bertin

está inadimplente em R$450 milhões em garantias que tinha que depositar, porque

vários empreendimentos nos quais entrou estão atrasados. O grupo criava boi. Passou

de uma hora para outra ao setor de infraestrutura e assumiu proporções gigantes,

empurrado pelas licitações que ganhou para construir termelétricas e rodovias. E esse

é o grupo-chave do consórcio que ganhou a licitação para construir Belo Monte. As

garantias que tem que depositar são de nove termelétricas atrasadas. Segundo

reportagem de Josette Goulart, do “Valor”, “algumas medidas para contornar o

problema do atraso no depósito de garantias estão sendo estudadas pela empresa e

órgãos governamentais.” O que têm órgãos governamentais com a dificuldade de uma

empresa privada? Pode ter certeza que o final da história será mais subsídio e ajuda

do governo, além do que o grupo já recebeu. No mercado, comenta-se que o BNDES

procura comprador para o grupo Bertin para sair da encalacrada que o governo entrou

ao organizar o consórcio na véspera do leilão de Belo Monte.

O trem-bala tem um belo monte de subsídios: R$20 bilhões de empréstimos do

BNDES a juros baixos, de R$5 bilhões de doação do governo para o caso de o

movimento de passageiros não ser o que foi projetado, e o Tesouro é que vai dar

garantia para o empréstimo do BNDES. O governo também criará uma estatal, ao

custo de R$3,4 bilhões, a Etav, Empresa do Trem de Alta Velocidade. O consultor

Marcos Mendes, do Centro de Estudos do Senado, que fez o estudo mostrando todos

esses subsídios embutidos, disse à imprensa que o governo é que está bancando

esse projeto bilionário sem estudar os benefícios.

Os riscos são enormes nos dois projetos. No DNA de ambos, há a mesma insensata

teimosia, a mesma derrama de dinheiro público, o mesmo voluntarismo estatizante. O

Brasil precisa de energia renovável e de mais ferrovias, mas resolveu apostar as suas

fichas nos projetos errados e caros. Onde o governo está com a cabeça?

 

http://malcolmallison.lamula.pe/tag/projetos-faraonicos-errados/

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