
Nascido no seringal Porto Rico, Xapuri, em 15 de dezembro de 1944, Francisco Mendes Filho, o Chico, tornou-se seringueiro ainda criança, acompanhando o pai. Visionário que aprendeu a ler os 20 anos, foi à luta com determinação, unindo os interesses dos índios e seringueiros em defesa da floresta, defendendo a criação de reservas extrativistas que preservam as áreas indígenas, garantindo assim a reforma agrária desejada pelos seringueiros, e a produção auto-sustentável para as famílias da região.
Como líder sindical fundou em 1975 o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Basiléia. No ano seguinte participou da lutas dos seringueiros para impedir desmatamentos e organizou várias ações em defesa da posse de terra.
Sempre perseguido por fazendeiros e políticos que o acusavam de incitar posseiros, sofreu prisões e até tortura. Em 1981 assume a direção do Sindicato de Xapuri. Foi vereador em 1978 mas não conseguiu se eleger como deputado. Com o surgimento do PT, Partido dos Trabalhadores, transformou-se em um dos seus fundadores e dirigentes no Acre. Participou de comícios e manifestações ao lado de Luiz Inácio da Silva. Sua luta atingiu reconhecimento internacional, recebendo da ONU, em 1987, o Premio Global 500.
Casado com Ilzamar e pai de dois filhos, Sandino e Elenira, Chico realizou alguns de seus sonhos ao assistir à criação das primeiras reservas extrativistas no Acre, e conseguir a desapropriação do Seringal Cachoeira, de Darly Alves de Souza, em Xapuri. Foi quando as ameaças de morte se tornaram freqüentes. Chico denunciou o fato às autoridades, deu nomes e pediu proteção policial. Nada aconteceu.
Em 22 de dezembro de 1988, um tiro de espingarda matou Chico Mendes na porta de sua casa. Darly Alves e seu filho Darci foram apontados como mandante e autor do crime, respectivamente. Em 1990 foram condenados a 19 anos de prisão. Fugiram da prisão em fevereiro de 1993 e só foram recapturados três anos depois. Em setembro de 2008 a Justiça (sic) concedeu o direito de prisão domiciliar para Darly, hoje com 71 anos.
A EXPOSIÇÃO
Lembrar a corajosa trajetória de vida de Chico Mendes a essas alturas do campeonato é signo forte de lucidez. Mesmo não se tratando de uma comemoração, a Exposição 20 Anos Sem Chico Mendes torna-se oportuna em momento crucial para a causa ecológica.
Chico Mendes deve ser a maior inspiração para o Ministro Carlos Minc e seus colaboradores do Meio Ambiente, assim como a melhor referencia de um passado recente que fincou bandeira, e que deixou um rastro de coragem e de caminho percorrido.
A curadoria da Exposição é assinada por sua filha Elenira Mendes, cuja proposta é manter viva a sua memória de luta em defesa da floresta e mostrar para as novas gerações que todas as idéias do pai permanecem vivas. Além da exposição do acervo preservado pela Fundação Chico Mendes de objetos pessoais e prêmios recebidos pelo grande brasileiro, ações de conscientização de preservação ambiental estãos sendo realizadas no Museu do Meio Ambiente do Jardim Botânico por meio de contação de histórias. O livro Chiquinho e sua Turma de Walquiria Raizer, com ilustrações de Ziraldo, está sendo lançado, e narra os fatos ocorridos de maneira romanceada, transformados em fábula para o público infanto-juvenil.
Para a revista SESC-Rio, coordenada por Joel Ghivelder, onde pesquisamos sobre a Exposição, Elenira Mendes afirma que seus desafios atualmente são levar adiante o legado de Chico Mendes, mantendo viva sua memória, e prosseguir lutando. E sintetiza com sensibilidade: “Há uma frase dele de 1988 que diz o seguinte: “No começo achei que estava lutando para salvar seringueiras, depois a floresta amazônica, mas agora percebi que minha luta é para salvar a humanidade”... Eu tenho a sensação de que meu pai ainda vive. Ele vive no coração das pessoas que ainda sonham, que ainda lutam, das pessoas que estão na floresta, que ainda brigam para sobreviver.
Eu creio que meu pai ainda vive nos nossos corações”, arremata com a voz e o olhar serenos.

Bucaneiros de todas as gerações, uni-vos! É hora de oxigenar nossos corações, aplicar a garotada, e dar um rolé saudável no Jardim Botânico, a floresta do Tom, do D.João e, agora, do Chico.
