Represa Belo Monte e Trem-Bala: dois projetos errados.
Con un bello monte de equívocos, Brasil está entrando cual un tren bala en dos problemas gravísimos. Las dos obras más importantes del país son agujeros sin fondo desde la perspectiva fiscal, y cuanto más se ahondan, el gobierno, erradamente, se involucra más en ellos.
Bertin, subsidiaria de Gaia Energia, una de las empresas de Belo Monte, se pregunta ¿por qué un país con pocos recursos para invertir, escoge dos proyectos faraónicos?
Brasil está en crisis financiera, además, el gobierno trata de empujar el tren bala. Ambos proyectos tienen esto en común: están equivocados.
Hay muchos argumentos en contra de las dos obras.
El ferrocarril es la alternativa mas adecuada para Brasil, pero el tren bala va a consumir demasiado dinero, va a impedir el ineludible progreso ferroviario que apremia al Brasil. La represa de Belo Monte consume mucho dinero, es una obra cuyo proyecto no fue evaluado adecuadamente en términos económicos, fiscal, ambiental y climático.
Por que um país com poucos recursos para investir escolhe dois projetos faraônicos: Represa Belo Monte e Trem-Bala. Os dois projetos têm isso em comum: estão errados.
Erros caros - 16 fev. 2011 … Os dois projetos têm isso em comum: estão errados. … O trem-bala tem um belo monte de subsídios: R$20 bilhões de empréstimos do BNDES a …
www.antf.org.br/index.php?option=com_content&view…id…
Erros Caros
LEITÃO, Míriam. “Erros Caros”. O Globo.
Rio de Janeiro, 16 de fevereiro de 2011.
Com um belo monte de equívocos, o Brasil está entrando num trem-bala para duas
encrencas. As duas maiores obras são buracos sem fundo do ponto de vista fiscal, e
quanto mais afundam, mais o governo se envolve. A Bertin, que é uma das empresas
de Belo Monte, por que um país com poucos recursos para investir escolhe dois
projetos faraônicos está em crise financeira; o governo tenta pôr os Correios para
turbinar o trem-bala. Os dois projetos têm isso em comum: estão errados.
Há montes de argumentos contra as duas obras.
A ferrovia é o caminho certo para o Brasil, mas o trem-bala consumirá dinheiro demais, impedindo inclusive o progresso ferroviário inadiável do país. Energia limpa é o caminho certo para o Brasil, mas a
hidrelétrica de Belo Monte vai consumir dinheiro demais numa obra cujo projeto não foi
avaliado adequadamente do ponto de vista econômico, fiscal, ambiental e climático.
Confesso não entender num tempo em que há tanto a fazer.
O custo do trem-bala já foi revisto três vezes e está agora em R$35 bi. Ninguém do
setor realmente acredita que ficará nisso. Pode ser muito mais, até porque no trembala
50% do projeto são túneis e pontes. Mas imaginemos que seja este o preço final.
De acordo com o diretor-executivo da Associação Nacional de Transporte Ferroviário
(ANTF), Rodrigo Vilaça, se em vez de trem-bala fosse feito um trem de alta velocidade
convencional, que levasse três horas o trajeto, ao invés de uma hora, o custo seria
reduzido a um terço:
- Quanto mais rápido andar o trem, menor capacidade terá de fazer curvas. O trajeto
precisa ser praticamente em linha reta, o que encarece a obra pela geografia
montanhosa da região.
O especialista em logística Paulo Fernando Fleury concorda. Acha que o Brasil tem
inúmeros bons e necessários projetos na área ferroviária, com custos individuais em
torno de R$4 bi a R$5 bi. É uma diferença descomunal com o custo do trem-bala.
Fleury também considera que a entrada dos Correios não resolve o problema:
- O projeto é de um trem de passageiros. Como será feito o embarque e desembarque
dos malotes e cargas dos Correios? Os passageiros vão ficar esperando o trem
carregar e descarregar?
A entrada dos Correios no trem-bala tem mais a ver com o mesmo defeito que há em
Belo Monte: pôr mais e mais governo através de estatais, para assim dar conforto aos
investidores e fazer com que eles se animem. Mesmo assim, o leilão foi adiado para
29 de abril e ainda não há certeza de que haverá mais de um consórcio.
A ANTF estima que a economia brasileira demande, hoje, 50 mil quilômetros de
ferrovias. Temos 28 mil. Nem quando todos os projetos previstos pelo Governo
Federal saírem do papel, em 2023, chegaremos a esse número. O trem-bala vai
consumir sozinho metade de que será investido no setor nos próximos anos. Ou seja,
há uma clara distorção de prioridades, num contexto de urgência para ampliação da
rede. Para se ter uma ideia, o crescimento do volume transportado em 2010 chegou a
19,1%: 471,1 milhões de toneladas de carga, contra 395,5 milhões em 2009. A maior
parte disso são commodities que o Brasil exporta: minério de ferro, soja, milho,
petroquímicos, mas também produtos para construção civil, impulsionados pelo
crescimento da economia.
As ferrovias correspondem a apenas 25% de nossa matriz de transporte. O trem-bala
não mudará isso porque fará transporte apenas de passageiros, e a uma distância
curta, de cerca de 500 quilômetros, ligando Rio, São Paulo e Campinas. A
discrepância com outros países de dimensão continental é enorme. A Rússia tem 81%
de sua matriz em ferrovias. O Canadá, 46%; Austrália, 43%; EUA, 43%; e China, 37%.
Estamos na lanterna e atrasados. Para piorar, 80% da malha ferroviária nacional têm
mais de um século, segundo a ANTF.
O “Valor Econômico” trouxe na segunda-feira a assustadora notícia de que a Bertin
está inadimplente em R$450 milhões em garantias que tinha que depositar, porque
vários empreendimentos nos quais entrou estão atrasados. O grupo criava boi. Passou
de uma hora para outra ao setor de infraestrutura e assumiu proporções gigantes,
empurrado pelas licitações que ganhou para construir termelétricas e rodovias. E esse
é o grupo-chave do consórcio que ganhou a licitação para construir Belo Monte. As
garantias que tem que depositar são de nove termelétricas atrasadas. Segundo
reportagem de Josette Goulart, do “Valor”, “algumas medidas para contornar o
problema do atraso no depósito de garantias estão sendo estudadas pela empresa e
órgãos governamentais.” O que têm órgãos governamentais com a dificuldade de uma
empresa privada? Pode ter certeza que o final da história será mais subsídio e ajuda
do governo, além do que o grupo já recebeu. No mercado, comenta-se que o BNDES
procura comprador para o grupo Bertin para sair da encalacrada que o governo entrou
ao organizar o consórcio na véspera do leilão de Belo Monte.
O trem-bala tem um belo monte de subsídios: R$20 bilhões de empréstimos do
BNDES a juros baixos, de R$5 bilhões de doação do governo para o caso de o
movimento de passageiros não ser o que foi projetado, e o Tesouro é que vai dar
garantia para o empréstimo do BNDES. O governo também criará uma estatal, ao
custo de R$3,4 bilhões, a Etav, Empresa do Trem de Alta Velocidade. O consultor
Marcos Mendes, do Centro de Estudos do Senado, que fez o estudo mostrando todos
esses subsídios embutidos, disse à imprensa que o governo é que está bancando
esse projeto bilionário sem estudar os benefícios.
Os riscos são enormes nos dois projetos. No DNA de ambos, há a mesma insensata
teimosia, a mesma derrama de dinheiro público, o mesmo voluntarismo estatizante. O
Brasil precisa de energia renovável e de mais ferrovias, mas resolveu apostar as suas
fichas nos projetos errados e caros. Onde o governo está com a cabeça?
http://malcolmallison.lamula.pe/tag/projetos-faraonicos-errados/